A Revolta da Vila de Cametá de 1826

Jornal “Gazeta de Lisboa”, nº 164, de 15 de julho de 1826, folhas 3 e 4, divulga notícias sobre a revolta ocorrida na vila de Cametá em abril de 1826, contra os europeus, quando muitos foram mortos e presos. Também trata da reação do governo da província frente aos acontecimentos.

NOTÍCIAS MARÍTIMAS

Entradas de navios

(…)

Idem (julho) 12. Português, bergantim Pensamento Feliz, do Pará em 46 dias, com arroz e algodão, e 4 passageiros.

Por este Bergantim  constou  que  no  dia  22  de  abril  ti­nha  rebentado  uma  revolução  na  Vila  de Cametá   con­tra   os europeus , dos  quais   mataram   uns  e  prenderam outros,   apoderando-se  os  revolucionários  das  autoridades.  Logo  que  esta  noticia  chegou  à  cidade,  o  governa­dor  fez  partir  para  aquela  vila  a  escuna  de  guerra Carolina, com   250  homens  de  tropa,   comandada  pelo Major  de  Artilharia Antônio Ladislau;  mas  por  causa  da má  navegação  que  fez,   só  depois  de  15  dias  é  que  che­gara  a Cametá,   dando  tempo  com  esta  demora  a  que  os revoltados  estivessem  fortificados,   de  sorte  que  ao  desem­barque  da  expedição,  foi  esta  completamente  derrotada, ficando  muitos  prisioneiros,  e  sendo  obrigada  a  escuna  a retirar-se  com   os   poucos   que escaparam.   No dia 14  de maio,   quando  se  tratava  de  outra  expedição  mais  forte, os  mesmos  prisioneiros  que  estavam  em Cametá,  juntos com os  muitos  descontentes  que  ali  havia,   fizeram  uma contrarrevolução ,  e  conseguirão  prender  alguns  dos  che­fes  da  revolta,  e  outros,  em  numero  de  40,  e  restabeleceram  novamente  a  ordem.   Apesar disto, a  expedição  que se  estava  aprontando  sempre  partirá  para  aquela  vila, a  fim   de  conservar  a  tranquilidade,   e  fazer  executar  as sentenças  dos culpados,  que  ali  mesmo  hão  de  ser julga­dos.

Felicitações de José Maria de Moura às Cortes Portuguesas

Jornal “Diário do Governo”, de Lisboa, Portugal, nº 65, de 17 de março de 1822, folha 2, trata sobre as felicitações que José Maria de Moura, Governador das Armas da Província do Pará, dirigiu às Cortes Portuguesas.

CORTES

Extrato da Sessão de 15 de março.

(Presidência do Sr. Bispo Conde)

(…)

Expediente exterior

(…)

Mandou-se  fazer  Menção  Honrosa  da  felicitação que  dirige  às  Cortes  o  Brigadeiro José   Maria  do Moura,   Governador  das  Armas,  da  Província  da Pará,  em   seu  nome,  e  das  Tropas de  1ª  e  2ª  li­nha daquela  Província.

Sobre a distribuição de terras para os índios em 1822

Jornal “Diário do Governo”, de Lisboa, Portugal, nº 65, de 17 de março de 1822, folha 2, publica sobre um parágrafo da resposta dada pela Câmara da Vila de Cametá ao Governo Provisório da Província do Pará, que trata sobre a distribuição de terras para os índios como forma de melhorar  a agricultura, bem como do entrave imposto pela lei das sesmarias.

CORTES

Extrato da Sessão de 15 de março.

(Presidência do Sr. Bispo Conde)

(…)

Expediente exterior

(…)

A Comissão do Ultramar passou  um  oficio  da Junta  Provisória  do  Governo  Civil  da  Província do Pará  de   30  de  dezembro  do  ano  passado,  remetendo  por  copia  um  paragrafo  da  resposta  dada pela Câmara  da  Vila  de Cametá   a  um oficio,  que o  mesmo  governo  lhe  havia  dirigido,  na qual  pro­põe  a  maneira  de  melhorar  a agricultura  em  geral, e  de  fixar  a  residência  permanente  dos Índios   por meio  de  distribuição  de  terras:  operação  esta  a que o  governo  civil  poderia  prover  se  lhe  não  obstasse a  lei  das  sesmarias,  que só  o  soberano  Congresso pode  derrogar.

Acusação da Junta Provisória do Pará de 1822 contra José Maria de Moura

Jornal “Diário do Governo”, de Lisboa, Portugal, nº 155, de 4 de julho de 1822, folha 3, publica sobre a apresentação de uma nota da junta provisória do governo civil da província do Pará, que acusa José Maria de Moura, então Governador das Armas da província, de a ter tirado partes essenciais de suas atribuições civis.

CORTES

Sessão 405. – 3 de julho

(Presidência do Sr. Gouvea Durão)

(…)

Passou o Sr. Sarmento a ler a nota apresentada na sessão de ontem pelo Sr. Deputado Moreira, da Junta Provisória do Governo Civil da Província do Grão Pará, em que argue o Governador das Armas daquela província, José Maria de Moura, de a ter despojado das partes essenciais das suas atribuições civis; foi remetida à Comissão de Constituição.

Proclamação da Câmara da Vila de Vigia de 1823

Jornal “Gazeta de Lisboa”, nº 67, de 18 de março de 1824, folha 3, publica a Proclamação da Câmara da Vila de Vigia, de 15 de novembro 1823, extraída de um periódico brasileiro cujo nome não é mencionado. A proclamação alerta sobre os insurgentes que ameaçam várias vilas paraenses, e da necessidade dos cidadãos seguirem as determinações da Câmara como forma de repelir e/ou neutralizar as ameaças. O documento cita como exemplo de catástrofe a revolução dos escravos ocorrida na ilha de São Domingos, externando assim o temor de que este movimento pudesse de alguma forma influenciar os insurgentes, exortando então sobre a necessidade da união em torno do trono de D. Pedro I.

PORTUGAL

Porto, 10 de março

Em um dos periódicos que conduziu o Bergantim General Rego, entrado do Pará, se lê um documento que bem mostra as inquietações que se experimentam nas vilas daquela província: enquanto pois os brasileiros não abraçarem e seguirem um só sistema (e este o monárquico, que unicamente lhe convém), sujeitando-se às leis, respeitando as autoridades, e procurando conservar a paz e harmonia, unindo-se aos europeus em fraternidade, nunca encontrarão sossego; antes sim verão suas habitações expostas aos mal-intencionados, vivendo em contínuas anarquias, de que são consequências certas, violências, saques e mortes. O referido documento é o seguinte.

Proclamação da Câmara da Vila da Vigia aos habitantes da mesma

“Ilustres vigienses, cidadãos honrados, a nossa pátria está em sossego; porém ela se vê em perigo; os insurgentes andam espalhados: Cametá, Muaná, Cintra, e a nossa vizinha Vila-Nova, têm sido a presa da impostura e da anarquia; o contágio lavra, e a nossa terra se vê ameaçada! A Câmara tem receio, o qual é bem fundado. Vós murmurais das suas providências à maneira do povo hebreu no deserto! Quereis acaso comparar-vos com aquele povo carnal, que não cria no Deus dos Exércitos, quando ele visivelmente os protegia, e obrava milagres a seu favor? Ah, sim, sedes diferentes no nome, mas não na fraqueza! Acaso a falta da lição da história vos tem arrastado à murmuração? Não por certo, porque entre vós giram homens que sem dúvida vos terão contado alguma coisa mais memorável dela, da revolução das nações; e enfim da grande miséria da França no tempo da sua república, ou governo democrático; mas para que nos remontamos se temos a desastrosa catástrofe da Ilha de São Domingos, que é adjacente ao mundo novo que pisamos! Acaso falta em vós aquela razão natural de que Deus dotou o racional? Acaso pensais que a Câmara com o comandante da força armada toma expedientes de defesa a vossa custa, para vos incomodar somente sem causa urgente? Enganais-vos, a experiência, esta mestra universal, guiada pela razão reflexionada, vos pode mostrar em quadros bem dolorosos na capital, e em algumas das vilas da província, e que a Vigia hoje pacífica, como em outro tempo aquelas, se pode tornar como elas em um momento a morada do terror, do crime e da morte!!! A Câmara fazendo melhor conceitos dos ânimos pacíficos dos cidadãos não confunde o justo com o injusto; porém, ela vê, ouve, observa, reflexiona, e conhece o veneno da discórdia voadora, da cobiça, da vingança, do clima, das paixões, todas próprias dos ânimos fracos das almas apoucadas; reconhece, enfim, que quando o físico do corpo não está bom, não podem as partes mais mínimas estarem em equilíbrio com os humores; enfim, concidadãos, se pensais que os insurgentes costumam guardar os direitos das gentes, se pensais que para vos acometer, e as vossas propriedades,  honra, e vida, eles usam de alguma formalidade política primeiro que ataquem, estais enganados; a sua invasão é pronta e tumultuária, sem mais formalidade que a satisfação das suas desenfreadas paixões, de matar, roubar, violar a honra, e reduzir tudo a cinzas. Não! Pensai bem, e vereis as determinações da Câmara bem acertada. Não é de inimigos estrangeiros que devemos recear; o nosso receio é de inimigos internos, e nós talvez os alimentemos, que desgraça!… Para se arredarem para mais longe as desgraças é que a Câmara se tem deliberado, com o comandante da força armada nesta vila, a por um corpo de guarda com sentinelas avançadas, e patrulhas rondantes; assim se sustentará sem dúvida a tranquilidade de que até aqui felizmente temos gozado, para cujo fim esta Câmara com as mais autoridades tem determinado, que o corpo dos cidadãos seja alistado, e repartido em 3 detalhes; que cada um destes interpoladamente façam rondas, e guardas, junto com o corpo miliciano; cujo detalhe depois de feito, e avisado, seja entregue ao capitão Francisco Antônio Galvão, a quem a mesma Câmara encarrega a sua execução, e juntamente o poder de castigar à voz do senado com três dias de prisão a todo aquele que prontamente não concorrer sendo avisado, não podendo o mesmo capitão aumentar, nem diminuir os castigo, além do determinado, e isto pela primeira vez; pela segunda o dobro; e pela terceira processado como desobediente às autoridades constituídas. Cidadãos, uma vez que vos conformeis com as providências dadas, e não murmureis das autoridades que vos governam, antes confiando nelas obedeçais, não podeis ter que recear. Lembrai-vos, concidadãos, que olhando só para os interesses particulares, não podeis cooperar para o bem comum, que é ao presente de que tratamos; porém a obediência às autoridades é o único meio de conservar-vos a tranquilidade pública que gozamos.

Esta Câmara assim o espera de um povo tão civilizado, que faz timbre em sustentar firme o trono do seu Augusto Monarca. Viva a nossa Santa Religião; Viva o nosso Augusto Imperador o Senhor D. Pedro I; Viva a nossa Augusta Imperatriz; Viva a Dinastia Imperial Brasileira; Vivam os honrados vigienses, portugueses, brasileiros e europeus em indissolúvel união; Viva a paz; Viva a concórdia na Vigia. Feita em Câmara de 15 de novembro de 1823. (seguem-se as assinaturas).

Ruas de Belém exibem as marcas das batalhas

Do livro “Reminiscências de Viagens e Permanências no Brasil”, de Daniel P. Kidder (Edições do Senado Federal, volume 103), página 207.

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Percebem-se, ainda, no Pará os efeitos da revolução de 1835. Quase todas as ruas têm casas pontilhadas de balas ou varadas por projéteis de canhão. Algumas foram apenas ligeiramente avariadas, outras quase que completamente destruídas. Dentre estas últimas algumas foram restauradas, outras abandonadas. O Convento de Santo Antônio ficou de tal forma exposto ao canhoneio que ainda hoje exibe muitos sinais de balas pelas paredes. Um dos projéteis destruiu a imagem colocada num alto nicho à frente do convento. Desde então o fecharam.

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Sobre o jornal de Felipe Patroni publicado em Portugal em 1821

“Jornal da ABI” (RJ) nº 289, de 2002, folha 3, menciona o jornal editado por Felipe Patroni em Lisboa, no ano de 1821, intitulado A Gazeta do Pará.

IMPRENSA NO BRASIL – SENTIDO DE COMEMORAÇÕES E FUNDAÇÕES DE 1808 E 1908

(Mário Barata – Conselheiro da ABI)

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O Pará havia tido um dos primeiros jornais criado no país na época do constitucionalismo liberal e da independência. Trata-se de O Paraense, fundado em março de 1822 por Felipe Patroni. Este, em 1821, quando em Lisboa, publicara um número único de jornal brasileiro ali feito com o título A Gazeta do Pará. Antes inserira parte dele no jornal português Mnemosine Constitucional, como estabeleceu um atual e competente historiador paraense, Geraldo Mártires Coelho, no seu livro Anarquistas, Demagogos e Dissidentes (Ed. CEJUPA, Belém, 1993).

No catálogo da exposição da imprensa de 1908, na parte do Pará, Manoel Barata não declarou a existência dessa Gazeta, referida em Lisboa pouco antes por A. Bessa. Afirma somente desconhecer sua confecção e circulação no Pará.

Sugere que poderia ter sido impresso no exterior, como realmente foi. Todos esses estudos continuarão até 2008 com o apoio primacial da Rede Alfredo de Carvalho e da ABI [Associação Brasileira de Imprensa].

Felipe Patroni, glória para a Itália e para o Brasil

“A exposição de 1922: Órgão da Comissão Organizadora” (RJ) – 1922 – 1923, Nº 16, folha 33. Na publicação oficial da exposição italiana de 1922, no Rio de Janeiro, destacamos trecho em que Felipe Patroni é exaltado como um dos paladinos da independência do Brasil e “nome que é uma glória tanto para a Itália como para o Brasil

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Fixemos, em largos traços, esta época que representa o início do século passado, quando o Brasil, por seu turno, lutava e se libertava do domínio lusitano, proclamando-se independente.

Na galeria dos nomes que enalteceram a nossa vigorosa cruzada da liberdade e autonomia, surge ao extremo norte, no Pará, a figura de Patroni, um dos paladinos da nossa independência, nome que é uma glória tanto para a Itália como para o Brasil.

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Felipe Patroni relembra sua exclusão da deputação do Pará

Jornal “O Chronista”, do Rio de Janeiro, nº 273, de 3 de janeiro de 1839, folhas 2, 3 e 4, publica resposta de Felipe Patroni a um eleitor da cidade de Campos, que questionava sua possível indicação para o senado pela província do Rio de Janeiro. Por ser um longo texto, reproduziremos apenas os parágrafos finais, onde Patroni relembra que já havia sido excluído da deputação do Pará por dois fluminenses: Bernardo Joaquim de Matos e o ex-presidente da província, General Francisco José de Souza Soares de Andrea. As inserções entre colchetes são do autor do Blog.

COMUNICADO

Eleição do Senador

O doutor Patroni ao eleitor de Campos

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Agora creio que o eleitor de Campos se achará mais esclarecido ao meu respeito. E aqui daria fim aos prometidos esclarecimentos, se não fosse ainda conveniente revelar ao mesmo eleitor o que sem dúvida ele ignora, e vem a ser que o Dr. Patroni, paraense, foi excluído da deputação do Pará por dois fluminenses, um natural e outro adotivo, Bernardo Joaquim de Matos e general Andreas, ambos os quais se encaixaram a si próprios como suplentes, enquanto que eu e muitos outros paraenses não tivemos duas dúzias de votos; e, o que mais é, servindo de pretexto a minha exclusão o ter eu escrito o Correio do Imperador, aliás, a bem da ordem e da monarquia, e para conciliação geral de todos os brasileiros natos e adotivos ao redor do trono do Senhor D. Pedro II.

E, contudo, nunca eu por isso me revoltei contra os fluminenses, nem nunca me queixei de semelhante injustiça e preterição, porque, enfim, julgo eu que o eleitor de Campos tem a maior boa-fé do mundo para conhecer e confessar, em obséquio à verdade, que entre mim e Bernardo Joaquim de Matos há sua diferençazinha nos direitos e capacidade para aspirar à representação do país em qualquer das câmaras legislativas.

Espero, portanto, que o eleitor de Campos fique agora meu amigo e me dê seu voto em boa-fé; e não quero só isso, mas peço-lhe ainda diga a todos os outros eleitores campistas que o doutor Patroni, em vez de querer tirar os direitos aos fluminenses, antes ele se esforça a honrar grandemente aos campistas, querendo, no seu projeto da divisão do Brasil, publicado no Correio do Imperador, nº 18, que a cidade de Campos seja capital de uma nova província, assim como Angra dos Reis ou Rezende de outra. O que tudo vale o mesmo que dizer que o doutor Patroni, em todos os seus projetos e escritos políticos, procura sempre repartir pelos beneméritos assim os empregos como as honras e pensões, tomando para a base de todos os seus sistemas teóricos em política e religião o grande dogma do cristianismo: Nolite iudicareut non iudicemini [não julgueis, para que não sejais julgados], dogma este que se desenvolve admiravelmente nas consequências e resultados do primeiro e principal problema da ciência do governo que alguns denominam política, outros moral, outros, enfim, economia política, e que eu sempre chamarei religião católica de Jesus Cristo: DIVIDIR O TRABALHO, A RIQUEZA E O PODER.

Que o eleitor de Campos leia com atenção meus escritos e veja aí pintado meu gênio e caráter pessoal; ele conhecerá com toda a evidência e certeza que era impossível, moralmente impossível, pretender eu menoscabar a honra e o mérito dos fluminenses e tirar-lhes seus direitos, eu, que depois de haver arrastado aos furiosos combates do filosofismo propenso a derrocar a cristandade no infernal axioma da moderna literatura: tantum religio potuit suadere malorum [até que ponto a religião pôde induzir um homem a cometer maldades]; eu que tenho a fortuna de topar sempre, nos meus sistemas científicos e obras literárias, com este pensamento de reserva que é todo o contraste do egoísmo pedantesco: temtum religio potest saadere bonoram! Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1838. – Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente.

Considerações sobre o projeto das 52 províncias de Felipe Patroni

Jornal “Chronista”, do Rio de Janeiro, nº 16, de 29 de agosto de 836, folha 1, publica considerações sobre o projeto de Felipe Patroni apresentado à câmara dos deputados, que dividia o Império do Brasil em 52 províncias. Segundo a crônica legislativa “Seu imediato efeito seria centralizar mais o Império, e impedir essas terríveis sublevações de províncias”.

CRÔNICA LEGISLATIVA

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Em um periódico da cidade de Niterói vemos transcrito um projeto do Sr. Dr. Patroni oferecido à Câmara dos Srs. Deputados para divisão do Império em 52 províncias. Em nosso entender esse projeto não se acha assaz desenvolvido, e mesmo ele não pode ser bem entendido e apreciado, a não se lhe vir junto um mapa geográfico, que marque as 52 divisões das novas províncias, e a estatística comparada de cada uma delas. No entanto, ela contém germes preciosos de utilidade que poderiam ser aproveitados. Seu imediato efeito seria centralizar mais o Império, e impedir essas terríveis sublevações de províncias, que por mai [mais/mui?] grandes, ameaçam continuamente a unidade do império. Sobre ela chamamos a atenção de nossos estadistas. Bem desenvolvido, esse projeto pode dar eterno retorno aos seus criadores, e pode mesmo no futuro trazer dias de glória ao Brasil. Sua execução, porém, exigiria suma energia e habilidade. Onde encontrar homens com essas qualidades?